04 março, 2007

Equívoco Triunfalista

A poucos instantes acabei de assistir na tv uma dessas pregações do tipo "7 passos para a vitória". Sabe?! Ou daquelas do tipo "como alcançar a sua benção", "você nasceu para vencer", e por aí vai o leque, ou melhor dizendo, o cardápio de opções de pregações que o povão gosta.

O pregador embasou sua mensagem no exemplo de Abraão. Quando Deus chamou o mesmo e após prometer que faria dele uma grande nação e engrandeceria seu nome disse: "Sê tu uma benção!" (Gn. 12.2,3)

Até aí tudo bem. O problema é quando se interpreta este tipo de texto sem o devido cuidado exegético e hermenêutico de se apurar todo o contexto da história do povo de Israel. Conseguintemente o pregador passa a fazer aplicações equivocadas de um texto que à luz no Novo Testamento, passa a ter uma nova dimensão no sentido espiritual.

Por exemplo, Abraão foi próspero em todas as áreas de sua vida. É verdade. Mas qual era o verdadeiro significado de prosperidade naqueles tempos?

Originalmente o sentido mais aproximado, é de que a prosperidade significava muito mais do que ter bens e riquezas. Significava alcançar a benovolência ou o favor de Deus, isto é, o sentido maior era de que ao ter esta provisão diária de Javé, já era motivo suficiente de se comemorar uma vida próspera.

Não obstante, em vista destes detalhes interpretativos, vemos um outro - Abraão foi escolhido mediante os propósitos soberanos de Deus para sua futura Igreja aqui na terra.

Só que o pregador com influências triunfalistas utiliza esse texto, e acaba distorcendo sua verdadeira aplicação, quando diz que assim como Abraão foi próspero(financeiramente) na terra, você também deve ter o mesmo destino. Não uma vida qualquer; mas uma vida onde você é o cabeça e não cauda.

Percebe a confusão? Ou a inversão de valores?

E ainda acha textos em toda Bíblia e até no NT para justificar sua interpretação(?). Ora, se o próprio Apóstolo Paulo escrevendo a sua carta a igreja em Colossos diz alertando quanto a costumes e fatos ocorridos no AT, dando a sua devida intepretação: "Porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir..."(Cl 2.17).

Para concluir, quero esclarecer que não sou contrário a pregação em hipótese alguma sobre personagens do AT, como Abraão, Moisés, José e tantos mais. Sou contrário a pregação que visa inferir sobre textos do AT e até NT, gerando anacronismos absurdos. E o pior - sob uma forte influência triunfalista que nada mais é do que atropocêntrismo puro.

03 março, 2007

A Saga do Cachorro e a Carne na Vida Real

Foi chocante e inusitada a cena que assisti quinta-feira 1º de março, em pleno centro de Arujá-SP.

Vinha andando tranquilamente quando surpreendentemente me deparo com um grupo de pessoas ao redor de um cachorro de porte grande. Parecia de raça, e do lado um pedaço de carne de hamburguer. O detalhe é que todos estavam num misto de revolta e espanto por terem presenciado o cachorro acabar de comer aquela carne de hamburguer, e em questão de um minuto tombar no chão sem vida.

Um senhor do meu lado protestava:
- Isso é um absurdo! Como pode uma pessoa ser tão má e colocar veneno propositalmente na carne pra matar o pobre animal!!
Outra senhora resmungava e praguejava do outro lado:
- Coitado do bichinho.....quem fez isso merece morrer comido de bichos!!!

Só que enquanto isso fiquei a pensar em tudo que havia escrito no último post sobre a conspiração da carne. Lembram que iniciei contando uma alegórica história de um cachorro de rua? Pois é... foi exatamente o que acabara de presenciar e até vivenciar.

Nas minhas elucubrações passei a me imaginar no lugar daquele cão. Pensei:

- É... ontem narrei uma história alegórica; hoje vivo esta história in locun; acabo de flagrar esta cena na vida real. Mas se eu tivesse no lugar daquele cão institivamente talvez faria o mesmo. Comeria aquela carne sem pensar duas vezes. Ah! mas eu não sou nenhum cão; por isso......

É, mas quem disse que isso não pode acontecer conosco?!

A tal da carne sempre conspira contra nós. Esta cena me levou a refletir sobre o nosso estado natural de homem (raça adãmica). Convivemos com este incômodo o tempo inteiro. É o fascínio por nós mesmo. É a autocentralização que faz de nós tão donos da situação, que diante de uma circunstância que por parecer tão inofensiva, pensamos lidar com ela sem medo de errar. O problema reside exatamente naquele ponto onde menos valorizamos ou menosprezamos; que estão as vezes perto de nós ou ao nosso redor e não paramos para avaliarmos nosso grau de vigilância quanto o que parece improvável.

Entretanto, é necessário sobretudo estarmos cheios do Espírito Santo para com discernimento vigiarmos e vencermos todas as tentações que nos cercam.

Por que parei para refletir sobre tudo isso? - Por entender que não adianta homem (raça adãmica) nenhum, por mais espiritual que seja, subestimar seu estado decaído, o que é representado na Bíblia pela carne.

Muitos que outrora se achavam super-homens, e muitos deles e delas que eram exemplos de espiritualidade, foram surpreendidos numa conspiração carnal e caíram numa armadilha fatal para seus ministérios. Estes foram envolvidos na maioria das vezes em escândalos de consequências incalculáveis.

Portanto, baseado nesta saga do cachorro, prefiro ficar um "pé atrás" o tempo todo comigo mesmo (com a minha carne), e admitir que não sou um super-homem por mim mesmo. Mas em Cristo Jesus (parafraseando o Apóstolo Paulo), sou mais que vencedor, pois Ele sim é o meu "super-homem"!

Ontem flagrei uma terrível cena!


Se você leu meu último post sobre a conspiração da carne.....tenho algo a relatar que de um certo modo me deixou muito reflexivo. Foi interessante, pois parece que eu estava vivenciandoo as palavras iniciais do texto que escrevi ao flagrar a cena. Bom, como agora no meu relógio já passam da 1:40 am, vou descansar um pouco e mais tarde detalharei esta experiência que acredito que assim como mexeu comigo pode mexer com você.....aguarde as "cenas" do próximo post.....até lá!

26 fevereiro, 2007

A Conspiração da Carne

Resolvi escrever este post, depois que presenciei numa igreja uma cena envolvendo certo “homem de ministério” e uma jovem senhora, a qual estava sendo aconselhada pelo tal. Até aí tudo bem. O fato é que inusitadamente flagrei alguns pontos que me chamaram a atenção. Não entrarei em detalhes por questões de ética e por entender que isto me serviu apenas como inspiração para escrever sobre este assunto. Como os leitores deste blog são inteligentes, logo perceberão por trás das palavras escritas abaixo o teor deste conteúdo que será descoberto nas entrelinhas.

Porém quero iniciar o assunto contando-lhes uma breve narrativa alegórica:

Certo dia um cachorro faminto vinha andando pela rua quando de repente encontra um pedaço de carne. Estava ainda fresquinha. Instintivamente devora quase de uma bocanhada só. Mal sabia aquele cão que aquela carne continha veneno aplicado por alguém para matar cachorros de rua. Consequentemente como era de se esperar, o efeito mortífero daquele veneno agiu dentro de minutos, e logo o cão morreu.
Moral da história: O instinto natural falou mais alto, antes mesmo de se medir ou ponderar as conseqüências. O que no caso do cão só aconteceria isto se o mesmo fosse adestrado e treinado, para antes de dar a mordida na carne farejar se havia veneno ou alguma substância estranha ao seu faro.
Parando para pensar, será se o fato narrado acima não é aplicável a nossa realidade? Vejamos:

1 – Somos autoconfiantes em nosso próprio instinto

Esta questão de achar que vivemos em um estado acima do erro e do pecado, por estarmos agora investidos de uma autoridade Divina é muito perigosa. Corremos o risco de com isso nos sentirmos a margem do mal, e, por conseguinte subestimarmos a presença intrínseca do pecado em nosso agir. Em nenhuma parte da Bíblia verificamos o homem mesmo que tenha o Espírito de Deus, como ser imbatível ou indestrutível pelo mal. Isto porque existe uma herança maldita do pecado que o cerca o tempo todo, tentando derrubá-lo. O Apóstolo Paulo mesmo declara isto em sua carta aos romanos:

Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.” (Rm cap.7.18)
“"No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus;" mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros.” (Rm. 7.22,23)

Obviamente que Paulo ao mencionar a carne (sarx), neste contexto está retratando e confrontando o estado natural do homem, que tende sempre para o mal. Deste modo, quando esquecemos este estado no qual nos encontramos, nos tornamos autoconfiantes, isto é, nos estribamos em nosso próprio instinto carnal. Não é por acaso que a Bíblia nos adverte a vigiarmos e orarmos para não entrarmos em tentação (Mt. 26.41). Além disso, o próprio Jesus advertiu a seus discípulos que a carne (sarx) é fraca; e que também no mesmo contexto, o termo é relacionado à natureza pecaminosa do homem. Portanto, ao confiarmos em nossa própria capacidade humana, ou ao nos acharmos fortes o suficiente para encararmos o pecado, nos tornamos presunçosos, consequentemente orgulhosos e isto já precede a ruína espiritual: “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda." (Pv. 16.18)

2 – Somos negligentes com os limites impostos ao homem

Em nenhum momento na Bíblia verificamos também alguma orientação ao homem desafiar os limites do pecado, isto é, negar por um momento o seu estado fraco e pecaminoso e encarar os limites de “peito aberto”. Pelo contrário. A Bíblia nos orienta a fugir do mal:
“...fugi da prostituição...” (I Cor. 6.18)
“...fugi da idolatria.” (I Cor. 10.14)

São exemplos de atitudes que devemos tomar em vista ao nosso estado pecaminoso que nos atrai naturalmente para o mal. Por isto devemos estar em alerta o tempo todo quanto aos limites que nos cercam. Eu diria que são muito tênues e enganosos. É necessário, portanto muita vigilância, mas isto por si só não basta. É preciso nos revestir da graça especial (gratìa speciális) manifestada em Jesus, para alcançarmos a total vitória sobre a nossa carne (sarx).
Jesus foi e é o único homem que não pecou na terra. Portanto é apenas nEle que devemos e podemos superar este estado maldito onde nos encontramos.

O problema não é entender isto; é esquecermos estes detalhes que estão intimamente tão ligados a nossa rotina da vida, a ponto de passarem despercebidos exatamente por fazerem parte do dia-a-dia de nossas vidas.

É nesse ínterim que a carne costuma conspirar contra nossa vida espiritual afetando nossa comunhão com Deus. Lembra do cachorro? Ele só quis saber de comer a carne e satisfazer o seu instinto. Talvez por estar tão acostumado a rotina de comer pedaços de carnes e migalhas pelas ruas, agiu tão naturalmente que quando percebeu que tinha algo errado na carne já era tarde demais. Será se conosco é diferente?

YHWH e a ESSÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO

Quando paro e reflito sobre os detalhes criativos e organizacionais do Criador do universo (YHWH), o Todo Poderoso "Eu Sou", percebo um nível intransponível de inteligência que nenhum ser racional (homo sapiens) na terra seria capaz de nem sequer aproximar-se. Tal é o grau de infinitude da grandeza deste poder. Notoriamente isto pode ser percebido antes mesmo de nos depararmos com a Bíblia: basta só observar a organização de toda a fauna, flora e biodiversidades de seres existentes no planeta terra. Pare e pense. Será que tudo isso surgiu de uma explosão de átomos e prótons apenas? Agora vamos a Bíblia: Ao observarmos a matriz da origem, ou seja, quando a palavra (logos) do "Eu Sou" tornou-se ativa através da própria ação que culminou na própria criação a partir de Gênesis 1, será se não dá para vermos nisto tudo um Deus organizado, desde sua criação? E será que hoje toda a natureza não é um reflexo do que é a glória do "Eu Sou" (YHWH) manifesta pela sua criação? Sem falar que tirando o desequilíbrio da natureza provocada pelo próprio homem, podemos observar através dela sob um prisma criacionista num mínimo um espetáculo de poder, inteligência, e organização.

E ainda tem pessoas querendo servir a esse Deus de qualquer forma. Igrejas querendo anarquisar a ordem correta e organizada da interpretação bíblica, provocando uma onda de inversão de valores. Mas o que isso tem haver com a criação? Leia os primeiros dois capítulos de Gênesis com calma e entenderás um pouco melhor sobre a essência da organização de YHWH.

17 fevereiro, 2007

Carnaval até nos tempos de Moisés!

Ao observar de longe esta "festa do carnaval" que a propósito, herdada de festas e cultos pagãos do passado, e que leva as pessoas a uma espécie de "compulsão antinomianista", ou seja, se rebelam contra todo e qualquer valor, princípio ou mesmo lei que regem e norteiam nossa cultura moral onde estamos inseridos.
Aqui no Brasil é assustador o quanto as pessoas perdem o senso dos limites e se lançam de forma desenfreada as orgias e práticas promíscuas danosas ao comportamento da sociedade.
Não obstante, a esta tão terrível realidade, ao nos reportarmos a Bíblia encontraremos fatos similarmente proporcionais. Basta observar em Êxodo 32, quando o povo já cansado de esperar seu líder Moisés que estava no monte falando com Deus. Não havia completado nem quarenta dias, e o povo logo decidiu adorar a outro deus. E Arão o representante de Moisés em sua ausência concorda e até ajuda a fazer a tal imagem; e sai um bezerro de ouro.
Após isto o povo é conclamado a fazer um dia de holocaustos, chamando até de dia do Senhor. Em seguida divertem-se a vontade! Originalmente isso tem um significado ainda mais forte - a total entrega do povo aos deleites e apetites carnais.
Isto nos leva a refletir na degradação moral do homem sem Deus. É o resultado da rebelião do homem com seu Criador. A morte espiritual é implacável e condenatória ao homem. Por isso ao observar este fato bíblico acontecido a mais de 3.000 anos atrás, nos leva a repensar o quanto a humanidade continua a mesma. Propensa ao mal e consequentemente distanciada de Deus. Felizmente foi manifestada a Sua Graça em Cristo Jesus para nos livrar deste tão sombrio estado de pecado. . "...Aquele que estiver em pé cuidado para que não caia." (Paulo a igreja em Corinto)

07 fevereiro, 2007

Autoconhecimento: O Paradoxo da relação com Deus!

A ciência moderna através da psicologia está investindo pesado na propagação da premissa de que o homem precisa se autoconhecer para melhor viver. Entretanto, nos séculos passados antes da psicologia propriamente dita a filosofia já era a grande plataforma do autoconhecimento através da gnose ou sabedoria, que se trata nada mais do que o próprio conhecimento. Diga-se de propósito que a filosofia foi e ainda é um grande campo de estudo e pesquisa da psicologia científica atual.

Mas quando falamos de gnose, conhecimento ou sabedoria que desemboca na própria filosofia, partimos de quais pressupostos?
Faz-se necessário entendermos irremediavelmente qual a origem filosófica do homem. Isto nos remete ao ponto crucial da história humana pós-criação - a opção do homem em conhecer o bem e o mal em sua própria perspectiva. Ou seja: No momento da conseqüente atitude de provar do fruto do conhecimento do bem e do mal, nasceu aí a meu ver o marco filosófico do próprio homem.

Explico:

Com esta atitude o homem adquiriu o conhecimento do bem e do mal como está explícito na Bíblia: “Então disse o SENHOR Deus: "Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal."” Gn 3.22.

Partindo deste princípio verificamos que desde então o próprio homem, em conseqüência, instituiu por assim dizer o conhecimento com base em sua própria plataforma elucubrativa. Isto por si só já caracterizou um rompimento em sua relação com Deus. Pois a partir desta desconciliação com Deus, o homem passa a ter como único pressuposto ele mesmo. Isto é, antes tinha Deus como Seu criador e Senhor; depois de provar do conhecimento do bem e do mal passa a “Senhor” do seu próprio saber, tentando se igualar a Deus.

Portanto o autoconhecimento denomina-se em síntese em um conhecimento humano, limitado e corrompido. E, por conseguinte, pressupõe-se presunção e arrogância conseqüentes de um estado pecaminoso originado pela desobediência do homem. As palavras do Apóstolo Paulo expressam em suma o paradoxo entre a filosofia, psicologia e em seu bojo o autoconhecimento e Deus:
“... falamos de sabedoria entre os que já têm maturidade, mas não da sabedoria desta era ou dos poderosos desta era, que estão sendo reduzidos a nada. Ao contrário, falamos da sabedoria de Deus, do mistério que estava oculto, o qual Deus preordenou, antes do princípio das eras, para a nossa glória.” I Cor 2.6,7