"O tempo é conubial e é aderido às pontes por onde a humanidade reincidente passa". (Jorge de Lima, Invenção de Orfeu, Canto Sexto, IV)
21 abril, 2009
Qual a relevância de um novo paradigma missionário com ênfase na justiça e no amor?
Um exemplo disso são alguns missionários que ao ir a outras culturas se preocupam mais (mesmo que de modo indireto) em implantar a sua “cultura igrejeira” de origem do que mesmo levar o Deus verdadeiro aquela cultura local. Assim sendo, limitam Deus a uma visão às vezes apenas denominacionalista que restringe o Evangelho de Cristo numa visão meramente humana, presunçosa e muitas vezes até legalista.
Portanto, se temos que relevar um novo paradigma missionário enfatizando a justiça e o amor, devemos antes viver a práxis do caráter de Jesus de maneira integral em meio à sociedade e as diversas culturas do mundo, destruindo por conseqüência seus pontos malignos e restaurando os benignos das culturas através do Evangelho integral de Cristo.
O grande entrave ao meu ver hoje, reside no ponto onde a Igreja deve ser o referencial ético e efetivo da proclamação do Evangelho em meio aos cidadãos deste mundo; mas a prática disto está cada vez mais distante. Pois muitas denominações que se dizem evangélicas e/ou cristãs em vez de tornarem públicas a sua fé, a tornam privativas em torno de objetivos as vezes até egoístas.
Aí você pergunta: Mas temos tantos programas e tvs evangélicas hoje como nunca tivemos no passado....não é esta uma fé evangélica pública?
Seria; se o Jesus pregado não fosse "padronizado" de acordo com a visão privativa ou particular de algumas denominações que parecem mais está vendendo um produto institucional criado por homens do que mesmo proclamando uma fé genuinamente evangélica.
Assim sendo, diante desta realidade exposta, um novo paradigma missionário com ênfase na justiça e no amor é urgentemente por demais relevante. Entretanto, só será possível quando a Igreja de Jesus na América Latina e no Brasil unirem-se em torno de um evangelho sem barreiras e picuinhas denominacionais.
15 março, 2009
Como estabelecer uma relação entre a missio Dei e a globalização religiosa brasileira?
A Igreja católica romana e evangélica brasileira parece ainda carregar um legado “cultural”, deixado inicialmente por missionários do primeiro mundo. Quando aqui aportaram trouxeram junto consigo sua cultura religiosa contendo costumes, tradições e formas comportamentais da sua terra de origem.Parece que isso gerou com o passar do tempo uma espécie de subcultura religiosa, que com o passar dos anos tornou-se fragilizada e fragmentada. Não obstante a esta realidade, algumas denominações evangélicas e católicas buscam mesmo assim, manter ainda em pleno século XXI sua identidade focada nos seus fundadores de outrora; (a maioria deles foram missionários que vieram da Europa e América do norte a mais de cem anos atrás, no caso da católica a mais de trezentos anos).
Sob esse prisma, observo como se deteriorou o verdadeiro sentido da missio Dei na atual conjuntura religiosa brasileira. Tendo em vista que atualmente embora haja o esforço de algumas agências missionárias interdenominacionais em quebrar paradigmas, podemos ver por outro lado uma diversidade de denominações que disputam entre si métodos próprios e individualistas de propagarem cada qual o seu “evangelho” pelo mundo. Isto é, são “Igrejas matrizes” que enviam missionários para implantarem “Igrejas filiais” em outros povos. Estes missionários ao serem enviados, às vezes sem um devido treinamento acabam invadindo culturas por assim dizer; pois tentam em primeiro lugar implantar a denominação em si (com seu “sistema” e “cultura” própria) nestes lugares, e não o Evangelho integral de Cristo.
Deste modo, sob um foco sociológico da realidade do mundo em que vivemos hoje, parece que tanto a Igreja Evangélica e católica brasileira continua repetindo os mesmos procedimentos dos primeiros missionários que vieram ao Brasil. Ou seja, faz-se o caminho de volta com o envio de seus missionários “treinados” na maioria deles dentro de seus respectivos arcabouços denominacionais carregados de dogmas e tradições humanas. Assim fazendo, busca-se uma evangelização enrijecida pelo tempo e que paradoxalmente se distancia do homem. Tudo isto por ignorarem a dinâmica da história que reflete neste início de século no comportamento de uma sociedade que a cada dia torna-se mais moderna, globalizada e desencantada; com uma religião sem magia e cada vez mais desvinculada de sua prática.
Por conseguinte, observo que a missio Dei no Brasil de hoje parece ter sido marginalizada dentro deste universo religioso. Parece que muitas Igrejas estão se curvando ao mercado e em vez de fazerem discípulos do Evangelho (a práxis da missio Dei), estão fazendo consumidores da religião.
Portanto, para se estabelecer uma relação entre a missio Dei e a globalização religiosa brasileira, é fundamental em primeiro lugar que se “globalize” a Igreja cristã brasileira em torno de uma unidade centrada em Cristo e não em visões denominacionalistas. Em segundo lugar que se faça por meio da Igreja cristã Brasileira uma re-leitura do evangelho para a realidade sociológica de hoje. Buscando traduzir de forma contextual a linguagem de Cristo para um mundo contemporâneo. Assim formando discípulos com uma cristologia simples, sem ranços denominacionais e teológicos. Reconstruindo uma Igreja consistente e unida nos moldes da Igreja apostólica de Atos.
“Globalização, Religião e Missão. Uma análise sociológica da expansão mundial das igrejas
brasileiras evangélicas e católicas” de Eduardo Gabriel da Universidade Federal de
São Carlos, disponível na internet:
http://www.ces.uc.pt/lab2004/inscricao/pdfs/painel14/EDUARDOGABRIEL.pdf
24 dezembro, 2008
Flagrante de um Natal Contraditório
Mas para este post isso não vem ao caso.
O que me chamou a atenção foi um flagrante que fiz hoje ao chegar aqui em Santa Catarina. Na verdade vim passar o natal e reveillon aqui com minha esposa e tentar descansar um pouco, depois de um ano (2008) bastante corrido, e como ninguém é de ferro estamos dando uma pequena trégua nos nossos compromissos e trabalhos.
Bom, mas voltando ao flagrante, ontem conversando sobre o natal com um pessoal de certa denominação evangélica pentecostal e tradicional aqui de Santa Catarina, falaram-me de certa família tradicional nesta tal Igreja local que, diga-se de passagem, é rigorosa em usos e costumes; e que neste natal enfeitaram a frente de sua casa com o papai Noel. Achei que fosse algo discreto, o que mesmo assim não deixaria de ser uma flagrante contradição da práxis do evangelho, já que papai Noel e Jesus são incongruentes; é como se fossem água e óleo – são incompatíveis.
Mas qual foi a minha surpresa, ao passarmos em frente a esta casa que ficava na direção do lugar que íamos, pude constatar in locu algo muito mais preocupante:
Ali os meus olhos contemplaram uma realidade espiritual sintetizada numa "expressão natalina" que não condiz com o verdadeiro motivo do natal – que é a comemoração do nascimento do nosso salvador Jesus.
O que pude ver foi a fachada de uma casa com vários papais noéis de diversos tamanhos. E o pior: nesta casa que vocês podem ver na foto que fiz questão de registrar para o blog, mora uma família de membros da referida Igreja pentecostal, tradicional e rigorosa em usos e costumes.
A pergunta que faço é a seguinte:
Qual é essencialmente o maior símbolo do natal (tirando os aspectos mercadológicos da data) para quem é cristão?
Mas o que me preocupa mais não é a resposta desta pergunta. É o tipo de espiritualidade expressada em atitudes como esta, representada na foto publicada neste post.
É por isso que hoje comentava para um grupo de pessoas cristãs o seguinte:
Estamos vivendo cada vez mais a "espiritualidade do templo". Onde Jesus está lá no templo (prédio da igreja) chamado de santuário ou igreja e que só me encontro com Ele lá geralmente aos domingos ou em outros dias que tenha algum tipo de programação. Fora dele posso ser inclusive idólatra ou no mínimo irresponsável quanto a adorar Jesus e expressá-lo, a começar de minha casa.
E fiz uma pergunta a eles que aproveito para tornar explícitas outras que estão implícitas a ela; e perguntei:
Será se vocês seriam capazes de colocar um papai Noel na frente do templo de sua igreja evangélica?
Seria isso uma profanação, não? E por que só na minha casa posso fazer isso, ou seja, lá só porque não é um templo não é também profanação? Que contradição é esta? Afinal o templo de adoração a Jesus está apenas no endereço do prédio onde se congrega a sua Igreja ou no seu próprio ser?
[sem comentários]
Para mim este flagrante "natalino" prova o quanto muitos estão vivendo uma lamentável contradição espiritual de inversão de valores.
Portanto aproveito para nesta data onde o mundo pára em torno dela, desejar a todos os leitores deste blog um verdadeiro natal de adoração. Não ao papai Noel e nem ao menino Jesus; mas um natal onde possamos festejar o início da concretização da missão redentora do homem Jesus que começou com o Seu nascimento e culminou com a Sua morte e ressurreição. Conquistando com isto a vitória completa sobre o pecado e satanás, dano-nos hoje o privilégio de usufruirmos da sua Graça e Misericórdia.
Um Feliz natal cristocêntrico!
Só a Deus toda a Glória!
08 dezembro, 2008
O Liberalismo Irresponsável em nome da Graça de Deus
Antes de entrarmos no assunto em questão, gostaria de pedir desculpas aos leitores deste blog pela demora de postagens nos últimos dias. Mas é que devido ao acúmulo de trabalhos e compromissos, somado ao fato de que, sobretudo neste blog gostamos de escrever debaixo de muito temor e tremor diante do Altíssimo. Sem a Inspiração pela Graça dEle, as linhas que se seguem seriam escritas apenas de mórbidas palavras. Por isso nos alegramos em Cristo Jesus, pois é por Ele e para Ele que nos motivamos a escrever neste blog.Tratamos no post anterior sobre os extremos da realidade evangélica atual em meio a muitas denominações que se auto-proclamam “a Igreja de Cristo”.
Dividimos em dois extremos: um – a clausura denominacional; o outro extremo é exatamente o tema deste post.
Para iniciar nosso pensamento relacionado ao assunto vamos ver um texto bíblico que me chama muito a atenção quanto ao liberalismo irresponsável em nome da Graça de Deus:
“Pois certo homens, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se dissimuladamente no meio de vocês. Estes são ímpios, e transformam a graça de Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único e Soberano Senhor”. Judas 4 (NVI)
No texto acima está em negrito as palavras chaves que compõem o tema deste post.
Primeiro, vemos Judas fazer uma referência a pessoas ímpias que estavam infiltradas no meio da Igreja de forma dissimulada, isto é, com aparência de cristãos, mas, no entanto negando Jesus Cristo na sua vida prática. Em outras palavras, eram pessoas com discursos de cristão, dizendo-se seguidores de Jesus, mas vivendo à margem de Seu caráter. Ou seja: viviam em função de si mesmas, na tentativa de “justificar” suas atitudes e comportamentos desregrados valendo-se da Graça de Deus.
É por isso que Judas os chama de ímpios, que na acepção da palavra quer dizer o contrário de pio. Isto é: pio segundo o Houaiss vem do latim ‘pius,a,um ' que cumpre o dever, puro, justo, honesto, casto'.
Quando se põe o prefixo im + pio forma-se exatamente o inverso da significância de pio. Ou seja: Ímpio quer dizer aquele que é desapiedado, que não é justo, honesto e nem tão pouco puro.
Entende-se que ímpio pode ser também aquele que algum dia provou ou teve contato direto ou indiretamente com a piedade – que é uma vida pia. Entretanto, este preferiu viver dissolutamente sua vida. Que na prática seria viver a vida de forma independente, liberal e volúvel a iniqüidade, buscando sempre argumentos que “justifiquem” suas ações.
Não foi assim com o filho pródigo? Quando o mesmo após sair de casa com a quantia que havia reivindicado de seu pai como herança, gastou tudo irresponsavelmente. Não medindo as conseqüências da vida, buscou viver sua independência, não só financeira, mas moral, na ânsia de descobrir seus próprios valores de vida? O resultado do complexo de atitudes irresponsáveis deste filho chegou a um estágio deplorável e humilhante nas palavras do próprio Jesus quando descreve: “... Ele desejava encher o estômago com as vagens de alfarrobeira que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada”. (Lucas 15.11-16; NVI)
Este exemplo não obstante, no contexto geral do discurso de Jesus referia-se aos judeus e gentios (os não judeus). Entretanto, ao analisarmos de modo particular e específico algumas de suas matizes, parece retratar bem a vida de alguém que um dia estava inserido em um contexto piedoso e que parecia pautado por um caráter devoto a um a padrão justo, puro, honesto e que cumpre seus deveres. Em suma, um contexto de vida pia. Porém este filho pródigo preferiu a impiedade. Preferiu ser “justo, puro e honesto” de acordo com seus padrões – os padrões da arrogância humana infestada pela praga do pecado.
Segundo, vemos Judas tratar estes tipos de homens ímpios que se guiavam por seus próprios padrões libertinos. Pois se utilizavam da liberdade da graça de Cristo de forma irresponsável e interesseira.
O pior desse exemplo para a nossa realidade hoje, é usar esses “padrões” em nome da Graça de Deus.
Era o que os homens a quem Judas se referia como dissimulados e que estavam infiltrados na Igreja de Cristo, tentavam fazer: Perverter a fé do povo na busca de um tipo de evangelho sem parâmetros definidos.
Atualmente nós chamaríamos em linhas gerais isto de “relativismo evangélico”, onde não há limites e nem parâmetros reais que norteiem um caminho cristão autêntico. Para muitas denominações ou as chamadas “igrejas evangélicas”, isto é encarado normalmente por seus líderes que se aproveitam da fé ingênua de muita gente.
Em nome da graça estes tais líderes, como lobos disfarçados de pastores estão pregando um evangelho genérico em troca de momentâneos prazeres e sensações de bem-estar de uma consciência religiosa.
Deste modo, perde-se o referencial genuíno do evangelho de Cristo. Tudo fica como um rio sem margens nem nortes que guie de maneira segura a sua navegação. A conseqüência disso tudo é uma confusão ética-teológica e doutrinária provocando uma inversão de valores quase que generalizada no meio muitas denominações evangélicas.
Surge neste vácuo uma enorme carência de valores cristãos autênticos que rejam as pessoas na direção do caráter evangélico de Cristo.
Pois estes homens (“líderes e pastores”) nas palavras de Judas 12: “... são como rochas submersas... são pastores que só cuidam de si mesmos”.
E aproveito aqui para inserir os legalistas que enclausuram seus rebanhos com “mãos de ferro”. Embora pareçam está na contramão dos liberalistas, existe um ponto em comum que os une: “guiam o rebanho em torno de si mesmo e com motivações próprias”.
Os liberalistas “conduzem” seus rebanhos sem a responsabilidade de guiá-los através do evangelho autêntico de Cristo. Temem confrontar o povo denunciando seus pecados à luz da Bíblia, pois estarão denunciando suas próprias consciências interesseiras e arrogantes, cheia de motivações mercenárias.
Preferem investir no crescimento numérico através de estratégias de marketing religioso que faz de suas “Igrejas” verdadeiras casas de espetáculo e entretenimento. Geram receitas cada vez mais elevadas e patrimônios suntuosos. Esta é a chamada “Igreja de sucesso” que passa a ter uma linguagem cada vez mais empresarial.
Estes tais liberalistas aproveitam-se irresponsavelmente da Graça de Deus. Estes tais são compatíveis com certos homens ímpios que Judas se referiu em sua epístola, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo.
Portanto, aqui está o outro extremo da realidade evangélica atual no Brasil e em alguns países do mundo: O liberalismo irresponsável em nome da Graça de Deus.
Aí vem a pergunta: Depois destes extremos, o que sobra disso tudo?
Sobra o essencial – O Espírito Santo de Deus. Este é o que dá vida a uma liderança. Que a chama e vocaciona verdadeiramente através da Sua Soberana vontade. Que manifesta o Seu poder e autoridade por meio daqueles que se humilham e como servos se posicionam no lugar certo: O CENTRO DA VONTADE DE DEUS.
A partir desta realidade que nunca foi, não é e nunca será extremista sim – é onde encontro inexoravelmente uma realidade cristã autêntica e genuinamente de caráter evangélico. Onde através do corpo de Cristo aqui na terra, a saber, Sua Igreja, comunica-se de fato e indubitavelmente a mensagem da cruz. Este é um remanescente santo em Jesus, que como “cabeça deste corpo” santifica-o e o capacita a cada dia a enfrentar todos os desvios e desmantelos de um mundo pós-moderno desnorteado pelo pecado.
Só a Deus toda Glória.
26 setembro, 2008
Geração dos “Xiitas Evangélicos”
Temos escrito nesse blog alguns posts relacionados a tradição nas igrejas e algumas nuances sobre a mesma. Entretanto, focando o assunto por uma perspectiva de contra-ponto da teologia integral; e sobretudo tendo por referência a Bíblia e a realidade do mundo em que vivemos. O que por sí só, toda esta perspectiva perfaz a missão integral na qual embasamos nossa teologia. Pois bem.
Nesses últimos dias temos assistido alguns fatos lamentáveis no meio de algumas denominações evangélicas: (Não queremos aqui citar nomes, pois este blog não se coaduna com "fofocas virtuais" ou coisa parecida. Porém objetivamos encontrar uma realidade que nos seja analítica sob o prisma da teologia integral.)
Líderes denominacionais evangélicos brigando pelo poder. E o pior: parte deles tentando impor e manter a todo custo um sistema ditatorial e opressor valendo-se para isso de uma tradição de homens que já foi fincada na cruz com Cristo; mas insistem em continuarem a carregá-la mesmo que morta dentro de suas denominações.
Trata-se da tentativa de manipular a fé do povo em função de uma determinada ideologia ou tradição. O que podemos constatar, é que quase sempre por traz da "capa" da tradição ou do "véu" tradicionalista existe uma mente fechada, determinada, e acrescentaria: obstinada como a dos xiitas a ponto de promover se possível até uma "Jihad" (guerra santa), em nome de uma "visão" que carrega o nome de "Jesus".
Só carrega, mas sua práxis está a anos-luz de distância do verdadeiro Jesus e Seu Evangelho. Pois em vez de se humilharem e reconhecerem seus pecados de arrogância "espiritual', como se fossem "aiatolás" de um sistema (o que de certo modo não deixam de ser), buscam interesses da denominação e não do Evangelho.
Isto passa a configurar-se num culto a denominação (com sua tradição) em detrimento ao verdadeiro Culto a Deus na pessoa de Jesus de Nazaré.
É evidente que Jesus é infinitamente superior a tradições humanas ou a denominações "evangélicas" que na maioria dos casos institucionalizaram-se em função de si mesma, e esqueceram do foco central que é Jesus Cristo. Conseguintemente, focam sua metas e objetivos no exercício de interesses partidaristas e político-religiosos.
(Abrindo um parêntese no assunto) É por isso que a disputa está cada vez mais acirrada entre elas. A tv por exemplo, é o palco desta grotesca realidade. Basta só observar, o quanto várias denominações estão cada vez mais investindo em marketing via compra ou arrendamentos de horários em grandes emissoras de televisão com suas super-produções. Quando não, partem mesmo para a compra de seu próprio canal de tv. Isto sem falar nos seus conglomerados de empresas que vão desde aos parque gráficos, editoras, gravadoras, livrarias, rádios, shopings e até agência de pregadores. Quero deixar claro que não sou contra a utilização da midia, mas a motivação cobiçosa e presunçosa de seu uso(fecha parêntese).
Diante deste caos podemos listar pelo menos duas realidades extremas:
1 – A Clausura Denominacional e suas Tradições.
Esta realidade acaba limitando ou nivelando a cosmovisão do Evangelho de Cristo Jesus a partir de tradições ou rudimentos (como diria Paulo) de homens. Em face a este contexto, nos deparamos com uma motivação evangélica sectária, exclusivista e autocentralizada. Deste modo o Evangelho torna-se marginalizado das culturas e realidades, perdendo sua característica essencial – que é abranger todos os povos da terra. De fato o Evangelho marginal não é Evangelho. É apenas a caricatura dele. Muito embora algumas denominações se autoproclamem missionárias e até apostólicas, o que vemos na prática é uma campanha ferrenha de marketing pelo mundo em busca de adesões (e não conversões ao Evangelho) as suas respectivas estruturas denominacionais.
Jesus (na linguagem de mercado) passa a ser um "produto" híbrido, que se adequa as ideologias e dogmas de cada uma delas. Numa "Ele é pentecostal", noutra "é neopentecostal", em uma outra "é apenas convencional", e assim sucessivamente a lista segue sem fim.
Seria essa a verdadeira função missiológica da Igreja de Jesus aqui na terra?
Eu ousaria dizer que isto é uma anomalia do Evangelho genuíno. Mas infelizmente é isto que estamos vendo em algumas denominações tidas como cristãs.
E o que tem haver isto com a clausura denominacional?
É simples: Basta só observar a 'formatação teológica' que embasa a visão doutrinária de cada uma destas denominações; e descobriremos um sem número de divergências que no fim parece não haver como se pensar em uma unidade do corpo de Cristo aqui na terra. Pois na perspectiva destas tais, a única maneira de se enxergar o corpo de Cristo como Igreja é está de acordo com as suas "particulares" interpretações do que seria o Reino de Deus. Ou seja: O Reino de Deus para estes já chegou completamente. Suas denominações são as "únicas plataformas" dEle (ou em alguns casos o próprio "Reino dEle"), cujo maior objetivo é aumentarem suas estruturas e paradoxalmente se fecharem cada vez mais através do monopólio da fé por meio de suas lideranças.
Parece até que estamos diante de uma "torre de Babel denominacional"!
Mas aí você pergunta: E onde entraria a clausura denominacional exatamente e o quanto ela tem em comum com os xiitas? Eu respondo:
No fechamento limítrofe do Evangelho de Jesus a tradições de homens.
É neste ponto que a clausura denominacional acaba se encaixando com a visão xiita.
Mas antes, em primeiro lugar temos que fazer uma rápida e sintética abordagem para aqueles que não sabem ou nunca ouviram falar dos xiitas:
Os xiitas representam uma tribo ou ramo do Islam(ou Islão, que são os populares muçulmanos). Fazem frente a outra tribo islam chamada sunitas. Estes são maioria espalhados pelos povos muçulmanos. Contudo, estas tribos se tornaram mais populares nas regiões em que se localizam os países Iraque e Iran. O Iraque que embora com menoria sunita destacou-se com o seu ex-lider e falecido Sadam Hussein que como sunita tentou resistir com seu regime déspota a pressão xiita.
Estas guerras tribais já vem se desenrolando a séculos. Tudo por consequência genealógica de brigas por dinastias ligadas a linhagem de Maomé. Com o passar do tempo as disputas passaram a se posicionarem no campo ideológico-político-partidário embora mantendo porém suas raízes tribais e religiosas. Tornando-se hoje numa espécie de facção política dentro do islão. (saiba mais detalhes clicando aqui)
Mas voltando ao teor do nosso post:
Em segundo lugar, para termos uma melhor compreensão do assunto, podemos dizer em linhas gerais que hoje os xiitas são uma denominação muçulmana. Partindo desse prisma, podemos ter uma noção mais clara de como eles têm muitas coisas em comum com a clausura denominacional evangélica. Vou em breves palavras dizer o por quê:
Guardando as devidas proporções, basta só observar a realidade histórica e atual do Irã. Lá a população como já foi mencionado, praticamente inteira é composta de muçulmanos xiitas; o governo é controlado por aiatolás que são uma espécie de "papas","padres","pastores","bispos" ou "apóstolos" dos católicos e evangélicos ocidentais. Estes aiatolás estimulam um fanatismo religioso tal entre o povo iraniano, que o tornam cegos com relação a realidade externa no mundo. Incutem seus interesses políticos em formato religioso com Alá no "pano de fundo". Entretanto, fazem de um aparente amor próprio a máscara de seu ódio religioso a países e pessoas que não professam sua fé muçulmana.
Um exemplo de antagonismo a fé deles é a nação de Israel e seus aliados.
Já declararam inclusive abertamente que um de seus objetivos é eliminar Israel do mapa. Tudo porque um dos motivos, é que Israel (grande parte do povo judeu) segue a torá (Lei) de Iavé e não o alcorão de Alá e seu grande "messias" – o profeta Maomé. Na verdade por trás disso tudo tem o fundamentalismo islãmico no mundo árabe e seus regimes totalitários, somados a questão étnica e territorial da palestina; que formam um "barril de pólvoras" de tensão entre os muçulmanos e judeus que tem o Iran e Israel atualmente como palco das atenções.
Portanto, apenas como exemplo comparativo, a clausura denominacional do Iran seria o Islam com a visão xiita e seus aiatolás, que os aprisionam dentro de sua própria religião.
É dentro desta realidade que consigo enxergar pontos em comuns com o que estamos presenciando no meio evangélico (se é que poderíamos chamar assim) de algumas denominações. Quando seus líderes conduzem o povo com "braços de ferro" como se eles próprios fossem o referencial efetivo do Evangelho de Jesus.
Para tanto usam a "clausura" como forma de "prender" o pensamento cristão num modelo institucional humano. O que acaba provocando uma infantilização espiritual no meio do povo, tornando-os ainda mais dependentes de seus líderes. Consequentemente estes se tornam cada vez mais dependentes de um sistema institucional que já está viciado na hipocrisia de se achar evangélico. Porém, na prática são tão "xiitas" quanto os seguidores dos aiatolás iranianos.
Esta realidade faz-me reportar a situação de Israel nos tempos do profeta Jeremias:
A desordem espiritual tinha se instaurado no meio do povo israelita. Mas insistiam em manter suas práticas rituais, como se nada de anormal estivesse acontecendo. Fingiam servir a Deus, quando na prática estavam comprometidos com a idolatria e ao mesmo tempo com a conivência dos sacerdotes, que fechavam os olhos para infidelidade do povo por estarem "vendidos" ao sistema. Este sistema da época também estava viciado. Os valores e princípios de Deus tinham sido deturpados por estes sacerdotes inescrupulosos que estavam mais preocupados em satisfazer e satisfazer-se com o referido sistema (que envolvia aspectos políticos e religiosos com deuses pagãos), do que comprometidos com a verdadeira adoração a Deus. Não obstante a esta situação, Deus mandou o profeta Jeremias anunciar um juízo, isto é, um castigo como forma de disciplina pelos pecados dos sacerdotes e do povo.
Chama-me a atenção no texto discorrido por Jeremias quando Deus proclamou:
" O meu povo é tolo, eles não me conhecem, são crianças insensatas que nada compreendem. São hábeis para praticar o mal, mas não sabem fazer o bem." (Jer. 4.22; NVI)
Estas palavras parecem remontar o quadro atual de algumas denominações e seus líderes. Que por esquecerem o seu verdadeiro chamado evangélico, apelam para a clausura denominacional, fazendo um povo se tornar aderentes de uma instituição e suas tradições e não convertidos ao Evangelho de Cristo.
É por isso que estamos assistindo este quadro alarmante de pessoas que dizem professar uma fé evangélica, mas seu comportamento é de quem não conhece de fato a Deus. Por se tornarem tão dependentes da "fé" de terceiros, são como crianças insensatas que nada compreendem, por serem "vítimas" da infantilização promovida por uma "geração de xiitas evangélicos", (fechada para reformas ou melhoramentos que promovam o Evangelho de Jesus; independente de suas ambições institucionais ou denominacionais). Por isto, são hábeis para praticar o mal, mas não sabem fazer o bem.
Esta é uma das realidades extremas: "a clausura denominacional e suas tradições". A outra realidade extrema é:
Esta realidade irei tratar no próximo post...
Só a Deus toda Glória.
13 setembro, 2008
Jesus: “O Monstro denominacional” e o Caráter Pastoral
Continuando o final do post anterior, de fato este “monstro denominacional” está diante de nós, mas não queremos vê-lo como “monstro”.
Talvez seja mais fácil num estado quase de contemplação o vermos apenas como uma criatura mitológica da cristandade pós-moderna. Ou seria isso um pós-cristianismo?
Sinceramente tenho até me esforçado para enxergar um “Jesus” diversificado na Bíblia (para isso estou animado para aprender a falar hebraico e grego fluente); mas sabe que mesmo no hebraico e no grego do ponto de vista exegético só percebo uma convergência: Desde a criação da terra e de tudo que nela há e anterior a ela, todas as coisas começam e se encerram em uma unidade.
A unidade do unigênito de Deus – Jesus Cristo.
E falando em unidade por uma perspectiva etimológica, logo encontramos a qualidade do que é um.
Isto nos remete ao caráter santo, imutável e único do que é Jesus e sua Igreja aqui na terra.
Não é por acaso que o Apóstolo Paulo escrevendo a sua carta a Igreja em Colossos no capítulo 1 e verso 17,18 e 19 disse:
“Ele é antes de todas as coisas e nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, que é a Igreja; é o princípio e primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia. Pois foi do agrado de Deus que nEle habitasse toda plenitude,...” (NVI)
Num momento em que a mídia está falando tanto em respeito à diversidade disso e daquilo outro (“quem tem ouvidos ouça”...), corremos um sério risco de relativizar a Graça de Deus nos padrões malignos com “capa” benigna.
É em face a esta dura realidade que se faz urgentemente necessária uma reforma na Igreja Evangélica brasileira e porque não dizer mundial. Realizada por “Martinho Luteros e João Calvinos da vida atual”. Que se levantem pastores que de forma efetiva com o caráter de Cristo possam confrontar os padrões do mundo (maligno) com os do Evangelho de Jesus, buscando uma teologia pura e equilibrada de modo integral.
A propósito, o caráter de Cristo é eminentemente pastoral; Ele é o supremo Pastor. E já que estamos falando de caráter pastoral quero encerrar este post registrando uma homenagem realizada no dia 07 de setembro próximo passado, aos 30 anos de ministério pastoral do Pr. Messias de Castro e Silva (meu querido e amado pai). Na ocasião o presbítero Thiago Brazil proferiu um belo discurso em sua homenagem sob o tema: “O caráter do ministério pastoral”. (click aqui e leia na íntegra).
26 agosto, 2008
Jesus: "O Monstro Denominacional"
Não que eu seja contrário ao crescimento evangélico no nosso país. O problema a meu ver consiste na forma como ele está ocorrendo.
Basta só observar que junto desta onda evangélica está vindo uma tsunâmi de denominações. Que nada mais é do que uma gigantesca multiplicidade de instituições carismáticas a serviço de líderes (em sua grande maioria) ávidos por “prosperidade”, poder e notoriedade.
Por conseguinte em meio a este pool de denominações (que popularmente são conhecidas como “igrejas”), Jesus tornou-se um Cristo fragmentado em padrões ideológicos que se divide cada dia mais ao gosto pessoal de cada um.
Temos um “Jesus” para cada classe social. Da elite a ralé. Parece que cada uma dessas classes funcionam como castas; similar a cultura hinduísta. A diferença é que se usa um “Jesus” para todos. Porém, formatado de acordo com o padrão social de cada um. É como se tivesse um “Jesus” da classe baixa, média e alta.
Tem “Jesus” para todos os gostos.
Do legalista ao liberalista existe uma malha de invencionices teológicas sendo tecida por neófitos, rebeldes e apóstatas; que cada vez mais vão ganhando adeptos em suas respectivas denominações.
E ainda saem por aí se auto-proclamando pastores, bispos e até apóstolos. Num acinte ao verdadeiro Jesus de Nazaré, cabeça de Sua Igreja como corpo. A propósito, nesse aspecto denominacionalista parece que existem vários corpos andando por aí como se fosse igreja. O problema é que além de não ter lógica um corpo viver ou andar sem cabeça, não tem como unir centenas de corpos em uma cabeça só. Se assim o fosse, teríamos uma monstruosa criatura sem nexo algum.
Ou será que esse “monstro” já está bem na nossa frente e não estamos querendo enxergar?!
Depois voltarei com mais sobre o assunto....
Só a Deus toda Glória.